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23/07/2008

Os homens também se abatem?

(Fonte: Expresso ) A triste realidade do abandono de animais e do abate dos mesmos continuará enquanto não se tomarem medidas duras para quem actue com a falta de sentido ético de quem se pensa, se vê e se crê como ente superior. São inúmeras as notícias que nos chegam, via imprensa escrita e televisionada, sobre ataques de cães a certas pessoas, sendo que algumas delas ficaram muito maltratadas. E é também corrente saber-se que os citados animais são de imediato isolados, postos de quarentena ... e abatidos. Não se cura de saber das razões que levaram os animais a terem tais tipos de comportamento. Não se procura descortinar os motivos e a ambiência em que viveram esses animais. Opta-se pela conduta mais fácil e mais tranquilizadora para as pessoas no que toca à respectiva segurança e tranquilidade de consciência. Também não surgem (como era suposto que acontecesse) notícias a dar-nos conta da abordagem aos respectivos donos desses animais. Quem são? Como tratavam os animais? A que castigos e situações desumanas os sujeitavam? Porque os abandonam obrigando que estes, em desespero, procurem comida recorrendo, se for caso disso, à violência no exercício do direito mais elementar que assiste a qualquer ser vivo que é o da sobrevivência. Nada é dito. Nada se faz. Mas os cães - esses - são abatidos. E com tal quadro escuro vem-me à memória o livro escrito por Horace Maccoy com o título "Os Cavalos Também Se Abatem". É que neste mundo feito pelos homens, para os homens e à medida destes, não há lugar para outros seres vivos que não seja aquele que os homens lhes reservam e onde se inclui, naturalmente, a morte. Direitos dos animais? Isso é pura quimera. Esquecemo-nos que somos tão orgulhosos que esses direitos só existem quando o homem assim quer, fazendo amiúde tábua rasa dessa criação com uma frieza e ausência de sentido ético que arrepiam. Não nos iludamos. A triste realidade do abandono de animais e do abate dos mesmos continuará enquanto não se tomarem medidas duras para quem actue com a falta de sentido ético de quem se pensa, se vê e se crê como ente superior. Com o desenvolvimento imparável da tecnologia, com o domínio sobre inúmeras facetas do mundo tornámo-nos deuses que julgam tudo poder. E nessa deíficação emprobecemo-nos cada vez mais com o esquecimento a que votamos os animais e as brutalidades a que os sujeitamos. A darmos razão a Mahatma Gandhi, quando este referia que a cultura de um povo mede-se pelo modo como tratamos os animais, teremos forçosamente de concluir que em Portugal ainda se vive muito na Idade da Pedra. Os homens também se abatem? Infelizmente não. E dizemos infelizmente porque muitos deles parecem não ter a centelha divina que é suposto (para nós crentes) transportarmos, cultivarmos, desenvolvermos e assim elevarmo-nos.
Rss
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