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30/06/2008

Cão vem do Canadá para guiar jovem invisual.

(Fonte: Jornal de Notícias ) Ganhar mais autonomia é o maior desejo de Sofia Santos, a primeira adolescente portuguesa invisual a ter um cão-guia especialmente treinado para acompanhar pessoas da sua idade. Este sábado parte para o Canadá para conhecer o novo amigo. A viagem rumo a Montreal deu um novo ânimo a esta jovem de 17 anos, residente em Fernão Ferro, concelho do Seixal, dado que em Portugal não é possível um cego desta faixa etária conseguir um cão-guia. "Para adolescentes é o único sítio onde criam cães-guia", contou ao JN Sofia, que nasceu com amaurose congénita de leber - uma degenerescência rara incurável dos receptores de luz da retina. Seleccionada pela campanha internacional "Touch & Act", difundida no país pela ACAPO - Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal, Sofia irá receber formação gratuita no Canadá, onde técnicos e monitores irão ensinar-lhe por exemplo como dar ordens ao animal. "Vou lá para fazer formação com o cão e já volto com ele", explica. A estudante do 11.º ano na Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira foi escolhida por ter maior autonomia, mobilidade e capacidade de uso da bengala branca do que os restantes adolescentes portugueses inscritos. "Eu desloco-me bem sozinha, mas um cão-guia traz mais segurança e mais autonomia", salienta. A família há muito que esperava pelo momento em que Sofia poderia usufruir da companhia de um cão-guia. O pai, Ricardo Santos, destaca a dificuldade em encontrar um cão-guia para uma adolescente invisual como a sua filha. Sobretudo, porque, a nível nacional, as opções disponíveis não contemplam grupos específicos. "Cá em Portugal nem sequer há a hipótese de o comprar", refere, explicando que a escola de Mortágua - que apenas treina cães-guia para adultos - tem uma grande lista de espera. "Neste caso, o cão é atribuído ao cego, mas nunca é da pessoa", explica. Por outro lado, destaca que só são atribuídos animais a maiores de 18 anos. Consciente das mudanças que irão surgir, Sofia explica que o cão que lhe for atribuído, consoante parâmetros de adaptação pré-definidos, vai ter de andar sempre na sua companhia, seja no quarto, na rua, nos transportes públicos ou até na praia. "Tenho de ser sempre eu a tratar de tudo", salienta, a jovem que quer ter um cão-guia desde os sete anos. "É a realização de um sonho que ela tem desde pequenina", revela a mãe Adelina, contando que "quando apareceu esta oportunidade só depois de se inscrever é que a Sofia comunicou à família". Até 26 de Julho, Sofia ficará instalada numa quinta da Fundação Mira, a única escola do mundo especializada no treino de cães-guia e formação de jovens deficientes visuais. "Cá em Portugal fui seleccionada e depois tive de ir ao Canadá uma semana para que fizessem uma avaliação para saber se estava apta a receber um cão-guia. E passei", conta, radiante. Realçando que para os cães-guia não há restrições, conta que a única coisa que terá de levar para Montreal é uma toalha para limpar o animal em caso de chuva. "São cães que têm de estar sempre limpos, porque podem entrar em todo o lado", explica. Depois do regresso de Sofia a Portugal, a família Santos irá receber a visita de técnicos que irão acompanhar a adaptação do agregado, composto por cinco pessoas e dois cães, ao elemento mais recente da casa, que deverá ter entre 18 meses a dois anos.
Rss
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