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23/05/2009

Criadores de cão de água português já têm reservas pagas para 2010.

(Fonte: Público)

O cão de água português, antigo companheiro de pescadores, ganhou popularidade inesperada ao tornar-se o eleito de Barack Obama, uma moda que faz os apaixonados pela raça temer pela sua pureza.

"Tem sido uma loucura, já tenho reservas pagas para o próximo ano", disse à Lusa Carlos Moreira, de Santo Tirso, que vende cada exemplar a mil euros, se for para ficar no país. Para fora é quase o dobro. "No dia em que saiu a notícia, à hora de almoço tinha uma ninhada completa, antes do jantar já não tinha nada", contou, recordando o momento em que o cão de água português ganhou destaque nos EUA.

A procura disparou. Um "boom" destes nunca aconteceu entre desconhecedores da raça, assegura. Recebe diariamente telefonemas e e-mail de pessoas que já só querem saber o preço, descurando as características do cão. "Agora é moda", afirmou, indicando que o interesse se tem manifestado tanto por parte de portugueses como de estrangeiros.

"Há estrangeiros que me dizem que têm um ferrari, um iate e um cão de água. É muito conhecido lá fora", diz, sublinhando tratar-se de "um cão soberbo". Não antevê problemas com a raça, desde que haja equilíbrio e bom senso na criação.

Mas há quem já tenha assistido a modas idênticas e maus resultados.

Maria João Pulido, coordenadora de bem-estar animal, diz que já aconteceu com os cocker, os huskie e os labrador, que acabaram por perder qualidades devido a cruzamentos menos escrupulosos para alimentar a procura, chegando-se ao ponto de cruzar animais da mesma família. Diz ainda que muitas pessoas compram um cão sem saber o que estão a fazer e adverte que, apesar da aparência, o cão de água "não é um peluche". É por tradição um cão de trabalho, precisa de exercício e companhia.



Vão aparecer abandonados daqui a um ano

"Daqui a um ano começam a aparecer-me, a andar aí abandonados e a chegar aos canis para abate", antecipa.

Carla Peralta, criadora na Ria Formosa, também está preocupada: "As pessoas que procuram esse cão agora são os chamados donos de momento, de impulso". À medida que era noticiada a possibilidade de um cão português chegar à Casa Branca, começou a receber 30 a 40 telefonemas por dia de potenciais compradores. Aos e-mail perdeu a conta.

"Ligou-me uma senhora que queria um cão em oito dias. Tive de lhe dizer que isto não é uma massa de pão que se põe no forno", conta indignada.

"Criadores que fazem consanguinidade aparecem sempre, isso não é de agora. O problema agora é o excesso de produção", afirma. Tem sido procurada por pessoas que querem "fazer ninhadas" sem os documentos do Clube Português de Canicultura a certificar a raça e sabe que o objectivo é fazer negócio, embora não o assumam.

"Não deixo nenhum macho meu cruzar com uma dessas", afiança. Indica os 600 euros como preço normal para o cão em Portugal, mas admite que se pratiquem valores superiores e que alguns criadores aproveitem o momento para especular.

Hugo Oliveira, criador e veterinário em Sintra, confirma que todas as raças que se tornam populares "acabam por se ver em grandes problemas". "Não é só ser bonito ou feio, também estamos a falar de problemas de saúde", explica, acrescentando: "A criação não pensada não tem isso em conta".

De acordo com o especialista, o cão de água sofre de "problemas de timidez" e quando andava nos barcos com os pescadores eram um "cão sem medo". "Se não tivermos cuidado ao cruzar os exemplares, temos um cão fechado, medroso, que perde essa capacidade de interagir com as pessoas", acrescenta.

Acredita que o excesso de procura vai originar uma alteração no comportamento da raça e apela aos criadores para serem responsáveis. "Isso é o mais importante agora, porque daqui a seis meses o cão está igual - não se vende", diz, referindo que o cão de água "nunca foi muito estimado em Portugal".

Chegava a passar seis meses sem pedidos e agora "aparecem todas as semanas". "Para se fazer qualquer tipo de cruzamento, as pessoas têm de se informar do que se pretende para a raça, não podem ir simplesmente cruzar com o cão do amigo", diz. Adianta que o preço varia agora entre 750 e 1.500 euros. Há dois anos comprou um exemplar por 500 euros, mas "depois disto do Obama, o preço mínimo nos EUA são 3.000 dólares, com contrato de esterilização para não poder ser reproduzido. Sem contrato pode ir aos 5.000 dólares".

Rss
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