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14/01/2009

Cão d’Água Português.

(Fonte: Observatório do Algarve)

O Algarve é o berço do Cão d’Água português, uma raça extraordinária de cães pescadores, corajosos, inteligentes e combativos, dóceis, afectuosos e alegres. 

Se há nomes que não surgem por acaso, este será certamente um deles. Nos cães de água, até as patas são dotadas de membrana natatória, e se as ondas não os assustam o seu maior prazer é mergulhar e trazer do fundo do mar algum “presente”.

Os pescadores contam histórias fantásticas, sobre salvamentos em pleno mar e a capacidade destes bichos em detectarem os cardumes, e serem capazes de orientar o timoneiro, em pleno nevoeiro, ladrando para avisar de perigos. Lançam-se à água para ir buscar um cabo que se parta, uma rede desgarrada, fazem a ligação entre o barco e a margem, e, já na praia, são o guarda vigilante da embarcação e do material do seu dono.

Em 1923 no seu livro “Os Pescadores”, referindo-se à da faina do alto dos caíques, um barco tradicional de Olhão, Raul Brandão retrata assim a raça: “ Tripulavam-no 25 homens e dois cães, que ganhavam tanto quanto os homens. E mereciam-no. Era uma raça de bichos peludos, atentos, um a cada bordo e ao lado dos pescadores. Fugia o peixe ao alar da linha, saltava o cão no mar e ia agarrá-lo ao meio da água, trazendo-o na boca para bordo.”

Um relato de um monge português feito em 1297, ao descrever a forma como um cão terá salvo o seu dono pescador da morte por afogamento, constitui a mais antiga referência a esta raça Portuguesa. Todavia, já era conhecido entre os romanos com o nome de “cão leão” devido ao corte de pelo usado nos machos, em que se corta rente o pelo dos flancos, ficando a cabeça com uma juba.

Talvez os seus antepassados tenham vindo do Médio Oriente, pois um livro sagrado da antiga Pérsia menciona a existência de um Cão d’Água e nos frescos egípcios, existe a sua imagem. Provavelmente chegou à Península, aquando da expansão do Islão.Referenciado no “Guiness Book of Records”de 1981 como a raça mais rara do mundo, o facto chamou a atenção e levou a que a ameaça de extinção fosse afastada, com a construção de um canil de criação na Quinta de Marim, no Parque Natural da Ria Formosa.

O Cão d’Água tem temperamento extrovertido, ardente, voluntarioso e altivo, disponível para a acção, atento na espera, corajoso perante o perigo. Com uma inteligência invulgar, compreende e obedece com alegria a todas as ordens do seu dono, e é especialmente amigo das crianças, um perfeito companheiro de brincadeiras.

Um animal de estimação que os algarvios adoram e querem preservar como um dos seus tesouros genuínos.

Conceição Branco

Rss
Treino de Cães ao Domicílio «» Casa do alto