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21/06/2009

Animais-terapeutas que ajudam no tratamento.

(Fonte: Diário de Notícias)

Cura. Cães, cavalos, burros ou golfinhos são alguns dos animais capazes de ajudar no tratamento de doenças físicas e mentais dos humanos. A Terapia Assistida por Animais exige técnicos formados e acompanhamento médico, que permitam distinguir simples actividades de terapias e proteger as pessoas.

Uma criança hiperactiva pode desenvolver a leitura graças à terapia com cães. Pessoas com paralisia cerebral conseguem melhorar a postura através do estímulo dos cavalos. O contacto com os burros aumenta a autoconfiança e facilita as relações. Nadar com os golfinhos contribui para a redução do stress e até pode ajudar as crianças a começar a falar. "As Terapias Assistidas por Animais são complementares ao tratamento de uma série de doenças, como é o caso do Parkinson, do Alzheimer ou do mutismo", diz a psicóloga e terapeuta animal Ana Marisa Brito, da Quinta Pedagógica de Portimão. Os doentes mais comuns são as pessoas com doenças mentais e deficiências físicas.

Cavalos e cães são os animais mais usados nestes tratamentos. O tipo de comportamento, a facilidade para o treino e os custos são alguns dos elementos que favorecem o uso destas espécies nas terapias.

"Docilidade, obediência e tranquilidade são fundamentais nos cães utilizados para terapia animal. Os labradores são mais comuns, mas outras raças podem ser treinadas para o tratamento terapêutico com as pessoas", afirma Maria Queiroz, psicóloga e terapeuta animal da Interacão, do Porto.

Aumentar as defesas imunológicas, reduzir a dor, fortalecer os músculos, melhorar as capacidades motoras ou regular a pressão arterial são apenas alguns dos benefícios físicos das terapias com os animais.

Albertina Marçal, mãe de uma criança de 11 anos com síndrome de Asperger (um tipo de autismo), diz que o comportamento do filho melhorou desde que ele começou a fazer terapia com cavalos. "O Luís está na hipoterapia desde os quatro anos. Observo que o défice de atenção foi reduzido, que aumentou a sua comunicação, socialização e também a sua autonomia", avalia Albertina.

No Centro de Hipoterapia de Almada, a maior parte dos utentes foi encaminhada e é acompanhada pelos médicos, em especial neurologistas e pediatras. A técnica Ana Marisa Brito considera essencial que o clínico conheça as técnicas usadas.

"Uma pessoa com síndrome de down pode ter fragilidades na espinha dorsal que não favoreçam alguns movimentos com o cavalo, por exemplo. O médico é o profissional capaz para identificar as vantagens e as desvantagens dos exercícios", explica a técnica do Centro de Hipoterapia de Almada.

A presença e a orientação de um técnico especializado, que consiga distinguir as actividades das terapias, é uma das principais preocupações dos profissionais. "Escovar o pêlo de um cão ou acariciá-lo em visitas a lares de idosos ou em instituições de deficientes são actividades com animais. Quando uma criança lê para um cão ou um deficiente físico faz um percurso com obstáculos incentivado pelo animal, então estamos a falar de terapia", explica a psicóloga e técnica em terapia animal, Inês Santos Pereira.

A avaliação do utente e "o planeamento dos exercícios de acordo com as suas necessidades emocionais e físicas caracteriza a terapia", continua a psicóloga, que acrescenta que "na terapia há um técnico especializado".

Inês, de 14 anos, tem paralisia cerebral e por isso as suas capacidades físicas e cognitivas estão limitadas. A hipoterapia (tratamento com cavalos) ajuda-a a coordenar melhor os movimentos, a manter-se sentada ou estar sozinha no banho.

"Não existem milagres, a hipoterapia costuma estar associada a outros tratamentos, como a fisioterapia, terapia da fala e ocupacional e também aos medicamentos. Em alguns casos, como o da Inês, o mais importante é prevenir as deformidades futuras", observa Susana Moreira, terapeuta ocupacional e técnica em hipoterapia.

A investigação sobre as terapias animais tem aumentado. O estudo sobre os benefícios de se nadar com os golfinhos, por exemplo, foi publicado no British Medical Journal.

As estudantes de Medicina Bárbara Badim e Andréia Fernandes, da Universidade do Minho, estão a investigar a hipoterapia. "Ainda são poucos os estudos e talvez por isso pequena a abordagem das técnicas das terapias com animais nas universidades, queremos compreender melhor o método e contribuir para o seu desenvolvimento".

Rss
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