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25/02/2009

Crianças e animais vadios em rota de colisão.

(Fonte: Diário de Notícias)

Angola. Surto de raiva em Luanda

Pais atribuem arranhões à brincadeira. Quando percebem, é tarde

Os dois rapazes seguiam de bicicleta quando o cão atacou. Mordeu um, profundamente, no tornozelo e apenas arranhou o outro na coxa. O pai dos rapazes, quando soube, preocupou-se. Chamou um médico, que limpou e desinfectou as feridas. E foi localizar o cão. Pediu aos donos que o fechassem, para permitir uma observação atenta do seu comportamento. Se o animal deixasse de comer e, sobretudo, de beber, saber-se-ia que tinha raiva.

Os filhos começaram imediatamente a receber a vacina anti-rábica. Entretanto, os donos do cão, mal aconselhados por alguém ou receando, talvez, alguma complicação futura, mataram o animal e fizeram-no desaparecer.

Passou algum tempo. A ferida do rapaz mais velho não sarava e surgiram sinais estranhos e alarmantes. O pai do jovem pediu a intervenção de um médico amigo que, após atenta observação do ferimento, traçou o dramático diagnóstico. O rapaz tinha contraído raiva e estava condenado a morrer.

A agonia, do jovem e da sua família, durou uns longos cinco dias. Tudo tinha corrido terrivelmente mal. A ferida não teria sido longa e vigorosamente limpa, com água e sabão. O cão desaparecera, impedindo a observação do seu comportamento. E a vacina estaria eventualmente fora de prazo.

Um ambiente perfeito

Esta história angolana, já com alguns anos, pode servir como imagem ilustradora da terrível doença, quando, em Luanda, irrompeu um surto de raiva.

A capital angolana, que é um dos mais perfeitos ambientes para a proliferação desta doença, porque abundam na cidade os grupos de animais vadios, sobretudo cães, bem como as crianças, multiplicando-se, todos os dias, rotas de colisão, sem imediata ponderação das eventuais consequências.

As crianças chegam a casa todos os dias com arranhões e feridas que os pais atribuem às suas brincadeiras e entretanto esgota-se o tempo útil para prevenir o avanço, que é muito lento, da doença. E quando surgem os primeiros sinais desta, a morte é inevitável e ocorre em cerca de uma semana, conhecendo-se apenas três casos no mundo em que os doentes sobreviveram, embora com sequelas, do foro neurológico, mais ou menos graves.

Terão morrido já, em Luanda, mais de 60 crianças e as autoridades enfrentam a crise sabendo que a maciça captura de animais e intensas campanhas de vacinação não varrem completamente o perigo, sendo o esforço mais importante o de sensibilizar a população para a necessidade de haver uma reacção rápida nos casos de ataque de animais.

A imediata e profunda limpeza e desinfecção da zona mordida e o necessário e atempado tratamento de imunização recomendado impedem, a quase cem por cento, a progressão da doença.

Rss
Treino de Cães ao Domicílio «» Casa do alto