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27/06/2008

Maus tratos contra animais indiciam perturbações psicológicas.

(Fonte: Expresso ) Cães e gatos também são vítimas da violência doméstica Não são só as crianças as vítimas indefesas da violência doméstica. Os animais de estimação também ficam no centro das disputas familiares: a sua vida pode constituir uma forma de chantagem e controlo ou tornarem-se também no alvo de comportamentos cruéis. Contam-se às centenas os relatos de mulheres brutalizadas, física e/ou psicologicamente, por companheiros e que de forma angustiante afirmam terem tido medo de sair de casa, pois sabiam que o seu animal de companhia iria sofrer. Em muitos casos, os relatos incluem experiências passadas em que a vida do animal constitui uma forma de chantagem e de controlo. Até que ponto a comunidade tem sido capaz de entender este tipo de situação? De facto, estas situações são camufladas pelo medo, pelo sentimento de indignidade e pela falta de liberdade experimentada pelas vítimas para falarem abertamente sobre o que se passa no seio da família. A maior parte das crianças testemunha este tipo de cenas. Embora algumas crianças tentem esconder ou impedir que o seu animal de companhia seja alvo de maus-tratos, pondo frequentemente em risco a sua própria segurança, facto é que , na maioria dos casos a criança acaba por se envolver e matar ou ferir gravemente o animal. Estes filhos da violência mostram, em geral, sinais alarmantes de perturbações comportamentais. A conecção entre crueldade em relação a animais e violência doméstica surge ainda em conjunto com outros factores, tais como consumo de drogas, alcoolismo e comportamento desordeiro. A violência dos adultos consegue infectar as crianças através de diversas vias. Quando, por exemplo, os pais resolvem conflitos pela força, as crianças tendem a aprender que a força é a única forma de fazer mudar o comportamento de alguém, incluindo o comportamento do animal. Nas famílias violentas os pais constituem o modelo da agressão. Os filhos limitam-se a ver o prazer derivado desses actos. Uma outra via pela qual a violência familiar se transforma em crueldade em relação aos animais surge quando a criança testemunha repetidas vezes as ofensas corporais feitas à mãe ou quando ela própria é a vítima. A sua revolta transforma-se frequentemente em actos de crueldade em relação aos "mais baixos" na escala hierárquica. Certas situações de violência psicológica, onde se verifica uma coexistência de mecanismos de transferência e de distorção de identidade, podem também levar a actos de crueldade e à tortura de animais. Infelizmente a violência não se encontra confinada ao espaço familiar. As crianças que crescem no seio de famílias violentas são muito mais permeáveis à violência existente na própria comunidade. Lutas de cães, lutas de galos, tortura de animais são vulgares em certas zonas, onde tradições de violência se misturam com analfabetismo, drogas e jogo. Dos diversos trabalhos de investigação conduzidos sobre esta temática, sabe-se que, infligir intencionalmente sofrimento a um animal constitui um dos sinais precoces de aviso sobre a existência de pertubações comportamentais. Mesmo antes dos sete anos de idade, a criança pode mostrar um conjunto complexo de problemas comportamentais e psicológicos, tais como elevado grau de impulsividade, violência e desrespeito pelos sentimentos de outrém. De forma característica, a crueldade intencional e repetida nunca surge isoladamente, mas antes como parte de um conjunto de sintomas que incluem o absentismo, a agressividade, o vandalismo e diversos outros actos disruptores da amenidade e segurança da comunidade, como hábitos incendiários. Tudo isto coloca a criança em risco de se tornar um delinquente e um criminoso. De facto, um estudo biográfico, analisando a infância e juventude, de assassinos tristemente célebres, como Albert DeSalvo "o estrangulador de Boston" e tantos outros, demonstrou que a crueldade em relação a animais é mais comum em indivíduos que se tornam criminosos violentos. Este e outros trabalhos mostram que um elevado grau de comportamento violento e anti-social em adulto é sinónimo de tratamento cruel infligido aos animais durante a infância/juventude. Constitui, seguramente, uma das implicações mais perturbadoras derivadas deste tipo de investigação biográfica. Obter evidência de maus-tratos aos animais directamente das crianças não é tarefa fácil. De facto, este tipo de comportamentos tende a ser escondido, embora em alguns casos se possam eventualmente "vangloriar" dos seus "feitos". No entanto, tal como já foi referido anteriormente, a crueldade em relação a animais é parte de um conjunto complexo de problemas comportamentais e psicológicos, traduzidos também por maus-tratos a indivíduos da mesma espécie. A escola pode e deve ter aqui um papel importante através de inquéritos de despistagem incluidos nos programas de Educação Ecológica. Julga-se necessário conduzir campanhas de informação do público em geral e de certos sectores em particular (associações de pais, docentes, treinadores desportivos e forças de segurança) sobre o facto de maus-tratos infligidos a animais poder constituir uma forte indicação de perturbações psicológicas e de tendências para exercer a violência. Deste modo, não podem nem devem ser ignoradas por todos aqueles que têm conhecimento deste tipo de situações. Se as vítimas animais necessitam de auxílio, não menos ajuda precisa o perpetrador do acto de crueldade. Margaret Mead, notável antropóloga do início do século XX, dizia que o pior que se pode fazer quanto à educação de uma criança/jovem é deixar que os actos de crueldade cometidos em relação a animais fiquem impunes. Julga-se aqui que o verdadeiro sentido não se refere a um castigo mas sim a uma forte tomada de atenção e ao auxílio especializado de que a criança/jovem deve ser alvo. Como parte da prevenção, a instituição de programas de Educação Ecológica contribui seguramente para o desenvolvimento de empatia, pensamento crítico e compaixão, servindo assim de antídoto à crueldade e à violência. A Educação Ecológica pode ser definida como o processo que encoraja a compreensão da necessidade de compaixão e respeito pelas pessoas, pelos animais e pelo ambiente, reconhecendo a interdependência existente ao nível de todos os seres vivos. É também importante, que as Actividades Assistidas por Animais e as Terapias Assistidas por Animais sejam implementadas, tendo para isso de se encontrar formas de treino de profissinais competentes. No entanto, qualquer destas medidas que possam vir a ser tomadas não dispensam a educação e a atenção que a família deve dar à criança/jovem. As famílias constituem o primeiro contexto de inserção da criança. É com a família que a criança aprende as primeiras lições de respeito para com as outras espécies, para com outros indivíduos, para com o ambiente e para com ela própria. De notar que o desenvolvimento de auto-estima é de importância fundamental na manutenção do equilíbrio psiquíco do indivíduo. A Hipótese Biofilica, proposta por Edward O. Wilson (1984) prevê a conexão intrínseca dos humanos com a natureza. Cada geração deve ter um ambiente de seres vivos, dos quais necessita tanto como do oxigénio e da água.
Rss
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