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15/02/2009

Togo, o cão-guia que também vai à escola.

(Fonte: Jornal de Notícias)

Invisual desde nascença, Sofia Santos é a única adolescente em Portugal com um cão-guia. Desde os transportes públicos à escola, todos os passos desta jovem de Fernão Ferro, Seixal, são dados desde Agosto ao lado de Togo.

A cadela labrador é uma mais valia em termos de segurança. "Não sinto tanta insegurança de bater contra alguma coisa. A bengala detectava tudo o que estava ao nível do chão, enquanto o cão-guia também nos desvia dos obstáculos que estão ao nível da cabeça", salienta Sofia Santos.

Esta jovem de 18 anos desloca-se quase sempre de transportes públicos, inclusive no Metropolitano quando vai passear a Lisboa ou praticar atletismo no Estádio Universitário. "Quando não está nenhum Metro na linha, se eu estiver virada para a linha e a mandar andar em frente, ela (Togo) chega a um certo ponto que não continua por estar lá a linha e vira. Ou vai para a direita ou para a esquerda", descreve, revelando já não ter "medo de andar na rua".

A adolescente apanha todos os dias dois autocarros para chegar à Escola Secundária Alfredo dos Reis Silveira, na Torre da Marinha e, para chegar à paragem, faz uma caminhada de cerca de 10 minutos, percurso que também faz no regresso a casa ao fim do dia.

O receio dos pais era grande antes da chegada do mais recente membro da família Santos. "Quando a Sofia ia atravessar a estrada, eu ficava apreensiva, mas agora já aprendemos a confiar na Togo. É realmente um animal excepcional", diz a mãe Adelina.

A adaptação ao meio escolar tem sido exemplar. Os alunos foram até alertados, no início deste ano lectivo, para o facto de a escola ir receber um cão-guia e de haver regras a cumprir. "Esteve aqui um técnico a explicar o que se devia e não devia fazer com o cão. E não tem havido problemas", conta Arménia Diniz, assessora do Conselho Executivo da escola.

"Não atrapalha nada. Está sempre sossegada. No início, eu estranhava, mas agora já estou habituada. É inofensiva e não faz barulho", conta a professora de Biologia, Virgínia Rebelo. Os alunos também não se sentem incomodados com a presença de um cão na sala de aula. "O problema é mais nosso, porque queremos fazer festas e não podemos", lastima Joana Benedito.

As ordens de Sofia são dadas em francês (língua em que a cadela foi treinada) e de forma austera, o que espanta algumas pessoas. "Tem corrido tudo bem. Às vezes, os colegas estranham a maneira como ralho com ela. Tenho de ser rígida, mas ela até se porta bem. E nas aulas está o mais sossegada possível", afirma.

Para evitar desentendimentos e discussões, Sofia leva sempre debaixo do braço o decreto-lei que permite que Togo a acompanhe para todo o lado. "Por acaso, nenhum dos motoristas dos autocarros tem implicado. Mas já fui abordada à entrada de um restaurante e de um café", conta, reconhecendo que a maioria das pessoas desconhece que a lei estipula uma multa mínima de 500 euros para quem não a deixe entrar com o cão.

Com dois anos e meio, Togo foi atribuída gratuitamente a Sofia pela Fundação Mira, no Canadá, onde a foi buscar em Julho e esteve um mês a receber formação para aprender a lidar com a cadela. "Um sonho que eu sempre tive foi ter um cão-guia. Foi bom ter conseguido", confessa a jovem, lembrando que em Portugal teria de esperar vários anos até lhe ser atribuído um animal.

"Se eu concorresse cá, teria de me inscrever e ficar cerca de quatro anos à espera para me fazerem uma entrevista para saber se estou apta. Depois, não sei quanto tempo seria, porque a lista é enorme e só treinam 12 cães por ano", estima. A mãe é ainda mais pessimista. "Não sei se a Sofia conseguiria ter alguma vez um cão-guia em Portugal", disse ao JN.

Com amaurose congénita de leber desde o nascimento, Sofia não desiste e está agora indecisa quanto ao seu futuro profissional. "Estou dividida entre fisioterapia e ciências musicais", desabafa a aluna do 12º ano, cujos livros escolares são em Braille e os telemóveis e computadores com sistema de leitura em voz alta.

Rss
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